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Artigos inspirados nas aulas de Fundamentos em Organização da Informação, no período 2012-2 do Mestrado em CI.

Segundas impressões sobre Fundamentos em Organização da Informação

Ciclo da Informação

Copiado de revista.ibict.br

A segunda parte dessa disciplina tratou sobre os Sistemas de Organização do Conhecimento (SOC) e contou com a presença de alguns dos ex-alunos do curso. Eles contribuíram com seu conhecimento e alguma experiência sobre os SOC. Esse tema foi dividido em três partes: Classificação, Taxonomia e Ontologia. A primeira parte foi apresentada pela professora Lillian e as demais foram apresentadas por ex-alunos. O Sistema de Taxonomia foi exposto pelo doutorando Milton Shintaku e o Sistema de Ontologia, pelo doutorando Marcelo Schiessl. Ambos são co-autores no livro Organização da Informação e do Conhecimento: conceitos, subsídios interdisciplinares e aplicações.

Como observado na resenha da primeira unidade, esta disciplina continua seguindo o plano de ensino que coincide com os capítulos do livro que é a principal referência nesta disciplina (ALVARES, 2012). Nesta resenha pretende-se descrever um resumo sobre os Sistemas de Organização do Conhecimento apresentados e fazer novamente uma relação com entendimentos pessoais baseados nos fundamentos aprendidos nas aulas de Arquitetura da Informação.

Classificação

Acredito que seja bem adequado que a prof. Lillian, a apresentação dos grupos e o livro principal de referência tenham feito a diferenciação entre a Classificação como um processo humano e o Sistema de Classificação como um resultado do processo de agrupar semelhantes com regras (RICHARDSON, 1972, apud ALVARES, 2012). A Classificação enquanto fenômeno social é um “processo mental” que ajuda a entender o mundo (LANGRIDE, 1973, apud ALVARES, 2012) e que nós o fazemos a todo tempo de forma consciente ou inconsciente. Já o Sistema de Classificação utiliza conceitos logicamente estruturados que se baseiam em regras predefinidas. Uma característica desse sistema é que esses conceitos recebem cada um deles um código identificador.

Alguns Sistemas de Classificação são bastante utilizados em um contexto de organização bibliográfica, como a Classificação Decimal de Dewey (CDD), desenvolvido por Melvil Dewey (1851 – 1931) em 1876, e a Classificação Decimal Universal, desenvolvido pelos bibliógrafos belgas Paul Otlet e Henri la Fontaine no final do século XIX. Esses exemplos de Sistemas de Classificação são bastante ampliados e se propõem a organizar informações de diversas áreas do conhecimento. Entretanto a Classificação pode ser utilizada para fins mais específicos que se aplica a um contexto próprio: uma Classificação Especializada em Economia, por exemplo, pode ser mais útil em situações que exigem uma recuperação da informação nesse contexto.

Taxonomia

Este Sistema de Organização deriva da Classificação, mas possui como característica um domínio definido de conhecimento e é estruturado em classes e subclasses, ou seja, de forma hierarquizada, iniciando de características mais gerais e prosseguindo até as mais específicas. A estrutura formada pela taxonomia se apresenta em forma de árvore, onde se parte de um termo mais geral e, a medida em que se percorre nas ramificações da árvore, pode-se obter termos cada vez mais específicos. Dessa forma um termo específico (“filho”) só pode partir de um único termo geral (“pai”). Este, por sua vez, pode ter um ou mais filhos.

Apesar do Sistema de Classificação poder agrupar categorias menores dentro de uma classificação mais ampla, esse processo é construído a partir da classificação optada pelo autor que faz a classificação. Na Taxonomia a hierarquia já possui uma forma intrínseca que não pode ser alterada, ou seja, uma categoria mais específica nunca poderia estar abaixo de outra categoria mais ampla se não aquela que ela descende. A Taxonomia dos seres vivos, por exemplo, aponta o leão na ordem dos carnívoros e um macaco na ordem dos primatas. Um não poderia estar no lugar do outro, pois a taxonomia não faria mais sentido.

Ontologia

Para o entendimento deste SOC, é importante ressaltar a diferença entre a Ontologia, que é uma área da filosofia que representa o estudo do ser enquanto ser, e ontologias, que é usado pelas demais ciências e deriva de estudos relacionados ao conhecimento. Para melhor entendimento, Lima-Marques (2006) sugere que a escrita da área filosófica seja feita com letra maiúscula como um nome próprio, enquanto o termo utilizado na Ciência da Informação, que representa um sistema que possui técnicas para ser construído, seja escrito em letra minúscula.

Neste sentido, as ontologias representam um conjunto de objetos reais ou virtuais de um domínio definido de conhecimento, seus conceitos e suas relações por meio de notação formal e linguagem natural. Parece ser um consenso que o processo de construção de uma ontologia passa por uma fase de Classificação e posteriormente de uma taxonomia. Entretanto, as relações existentes na ontologia não se limitam a uma hierarquia em forma de árvore, ou seja, em agrupamentos de termos mais gerais para os mais específicos. A ontologia possui relações lógicas, baseadas nas semelhanças; hierárquicas; partitivas, baseadas no todo e parte; oposição, baseadas nas diferenças; e funcionais, voltadas para os conceitos de processos (ALVARES, 2012). Devido a sua complexidade, a construção de ontologias requer a união entre um conhecimento especializado da ciência da computação e profissionais da ciência da informação.

Organização da Informação ou do Conhecimento?

Retomando as definições contidas no livro de referência, que diferenciam os objetos de estudo da disciplina:

Organização do Conhecimento: visa à construção de modelos de mundo que se constituem em abstrações da realidade.

Organização da Informação: compreende a organização de um conjunto de objetos informacionais para arranjá-los sistematicamente em coleções. (ALVARES, 2012).

Por essas definições, pode-se intuir que o termo mais adequado para essas técnicas seria Sistemas de Organização da Informação. A organização da informação registrada utilizando os Sistemas de Organização parece seguir uma ordem semântica intuída pelo autor. O que se registra é considerado informação, mas semanticamente, ou talvez pragmaticamente, o autor pretende comunicar-se com outrem. A intenção do autor é de registrar uma quantidade de informação suficiente para que a recuperação desta por um usuário crie um conhecimento que represente com maior grau de similaridade a imagem que o autor possui sobre o assunto. A imagem que o autor possui e que o usuário cria no momento da recuperação da informação pode ser bastante aproximada, mas nunca é a mesma, pois o “repertório” de cada um é diferente.

A recuperação da informação não depende apenas do sujeito, mas também da ocasião em que este a recupera. Em momentos diferentes pode-se recuperar informação diferente. A formação da imagem recuperada pelo sujeito depende ainda do entendimento, área estudada por muitos cientistas da informação.

Referências Bibliográficas:

LIMA, J. L. O.; ALVARES, L. Organização e representação da informação e do conhecimento. In: ALVARES, L. (Org). Organização da informação e do conhecimento: conceitos, subsídios interdisciplinares e aplicações. São Paulo: B4 Editores, 2012. 248p Capítulo 1, p. 21/48.

Primeiras impressões sobre Fundamentos em Organização da Informação

Fundamentos em Organização da Informação

Copiado de alvarestech.com

O tema abordado nas primeiras aulas da Profª. Lillian Alvares foi relacionado à Representação e Organização da Informação e do Conhecimento. Esse tema foi dividido em três partes: conceitos e fundamentação teórica sobre a informação, a Organização da Informação e os Sistemas de Organização do Conhecimento. Esta disciplina propõe seguir um plano de ensino que coincide com os capítulos do livro Organização da Informação e do Conhecimento (LIMA; ALVARES, 2012) de autoria da própria professora juntamente com alunos da última turma. Nestas primeiras impressões, pretende-se descrever um resumo sobre esses assuntos discutidos em sala de aula, usando esse livro como principal referência adotada no curso, e fazer uma relação com entendimentos pessoais baseados nos fundamentos aprendidos nas aulas de Arquitetura da Informação.

Informação: Conceitos e Fundamentação Teórica

Qualquer pesquisa científica que trata sobre os termos informação e conhecimento precisa esclarecer o que esses termos significam em sua área de atuação. A etimologia da palavra ajuda a entender a origem e, consequentemente, a explicação do significado do termo. Entretanto, o conceito do que é a informação ainda não é considerado um consenso na Ciência da Informação (FLORIDI, 2004). A Informação pode ser encontrada em todas as ciências, nas instituições de nossa sociedade e fazendo parte do dia-a-dia do ser humano, por isso esse termo pode causar uma dificuldade no entendimento caso ele não seja bem definido.

Na primeira aula, apesar de serem apresentadas as dificuldades apontadas por diversos autores em se fixar apenas um conceito de informação, sua definição relacionava o termo diretamente com conteúdo, forma, transmissão do saber. Dessa relação a professora entende que se origina o estudo e a pesquisa na Linha de Pesquisa em Organização da Informação (ALVARES, 2012a).

Após esse contexto, foram apresentados a Teoria Matemática da Comunicação proposta por Shannon e Weaver (1949) e a pesquisa sobre Transmissão da Informação feita por Ralph Vinton Lyon Hartley (1928). Entendo que esses trabalhos possuem uma visão de informação como mensagem. Depois foram apresentados Weinberg Report (1963), que trata sobre Transferência da Informação”, Le Coadic (1996), que fala de uma “busca pelo conhecimento” e a relação existencial que este possui com informação, e as propostas de investigação para a Ciência da Informação apontadas por Borko (1968). Não identifiquei as relações entre esses três últimos trabalhos, salvo a utilização dos termos fundamentais em que estamos tratando. Depois destes autores, foram apresentados diversos outros que também tratam dos termos em contextos diversificados, cada um em sua área de atuação.

Essa revisão bibliográfica apresentada pela profª. Lillian contribui para a argumentação de que diversos autores que propõem discutir acerca da informação e do conhecimento acabam por confundir esses termos muitas vezes por significados muito parecidos. Entendo que essa apresentação não contribui para uma busca de um conceito unificado, mas expõe esse importante problema na Ciência da Informação, uma vez que a informação é vista como objeto de estudo desta área do conhecimento.

Um aspecto importante apresentado por outros autores é a relação que a informação possui com o sujeito. Para Wersig e Neveling (1975) e para Tálamo (1996), a informação parece ser independente do sujeito, mas para Brookes (1980) e MacGarry (1984), a informação se mostra como a matéria prima do conhecimento.

Organização da Informação

A segunda aula foi iniciada pela profª. Lillian com o significado da representação. Esse termo associado à informação foi apontado como uma necessidade humana para a perpetuação do conhecimento. O surgimento da escrita é apresentado como um exemplo de representação que “promoveu um salto na produção e disseminação do conhecimento humano” (ALVARES, 2012b).

Percebe-se que a representação da informação necessita de uma organização dessa informação para que esta possa ser recuperada posteriormente com eficiência. Porém, a abordagem feita na aula confunde a organização da informação com a organização do conhecimento. Alguns autores observam a organização de documentos através dos sistemas de classificação, taxonomias, etc, como um trabalho de organização do Conhecimento. Entendo que seria mais apropriado chamar o uso desses sistemas de técnicas de organização da informação, pois o que parece estar sendo organizado é aquele objeto que foi registrado ou representado. A posição de Barité (2001) parece ser mais adequada, uma vez que este autor aponta o conhecimento como algo individual, ou seja, dependente do sujeito.

Sistemas de Organização do Conhecimento

De acordo com a definição apresentada na aula, esses sistemas se propõem a organizar e recuperar informações (ALVARES, 2012c). Os tipos de sistemas apresentados são: Sistemas de Classificação, Glossários, Dicionários, Tesauro, Taxonomias, Ontologias, Redes Semânticas.

A aula se baseia nessas definições com explicações mais detalhadas sobre cada tipo de sistema e, posteriormente, foi apresentado as definições de alguns autores da Ciência da Informação. Entretanto, percebe-se que ainda há uma confusão sobre o objeto que está sendo organizado. A informação e o conhecimento em alguns momentos parecem ser considerados sinônimos. Apesar da diferença apresentada pela professora na aula anterior:

Organização do Conhecimento: visa à construção de modelos de mundo que se constituem em abstrações da realidade.

Organização da Informação: compreende a organização de um conjunto de objetos informacionais para arranjá-los sistematicamente em coleções. (ALVARES, 2012b).

Essas definições apontam uma esfera mais abstrata no que se refere ao conhecimento, ou seja, está no mundo da cognição ou das ideias. A informação está em uma esfera mais objetiva, ou seja, permeia o mundo físico.

Os Sistemas de Organização do Conhecimento, então, podem ser interpretados como um conjunto de técnicas para se organizar os “objetos informacionais”, ou seja, aquilo que representa a informação documental.

Referências Bibliográficas:

LIMA, J. L. O.; ALVARES, L. Organização e representação da informação e do conhecimento. In: ALVARES, L. (Org). Organização da informação e do conhecimento: conceitos, subsídios interdisciplinares e aplicações. São Paulo: B4 Editores, 2012. 248p Capítulo 1, p. 21/48.

ALVARES, Lillian. Informação: conceitos e fundamentação teórica. Brasília, 2012a. Disponível em: <http://www.alvarestech.com/lillian/Fundamentos/Modulo1/Aula11Informacao.pdf>. Acesso em 3 dez. 2012.

ALVARES, Lillian. Organização da informação. Brasília, 2012b. Disponível em: <http://www.alvarestech.com/lillian/Fundamentos/Modulo1/Aula12OI.pdf>. Acesso em 3 dez. 2012.

ALVARES, Lillian. Sistemas de organização do conhecimento. Brasília, 2012c. Disponível em: <http://www.alvarestech.com/lillian/Fundamentos/Modulo1/Aula13SOC.pdf>. Acesso em 3 dez. 2012.

FLORIDI, L. Open problems in the philosophy of information. Metaphilosophy, v. 35, n. 3, april 2004.