Arquivo do mês: fevereiro 2013

Segundas impressões sobre Fundamentos em Organização da Informação

Ciclo da Informação

Copiado de revista.ibict.br

A segunda parte dessa disciplina tratou sobre os Sistemas de Organização do Conhecimento (SOC) e contou com a presença de alguns dos ex-alunos do curso. Eles contribuíram com seu conhecimento e alguma experiência sobre os SOC. Esse tema foi dividido em três partes: Classificação, Taxonomia e Ontologia. A primeira parte foi apresentada pela professora Lillian e as demais foram apresentadas por ex-alunos. O Sistema de Taxonomia foi exposto pelo doutorando Milton Shintaku e o Sistema de Ontologia, pelo doutorando Marcelo Schiessl. Ambos são co-autores no livro Organização da Informação e do Conhecimento: conceitos, subsídios interdisciplinares e aplicações.

Como observado na resenha da primeira unidade, esta disciplina continua seguindo o plano de ensino que coincide com os capítulos do livro que é a principal referência nesta disciplina (ALVARES, 2012). Nesta resenha pretende-se descrever um resumo sobre os Sistemas de Organização do Conhecimento apresentados e fazer novamente uma relação com entendimentos pessoais baseados nos fundamentos aprendidos nas aulas de Arquitetura da Informação.

Classificação

Acredito que seja bem adequado que a prof. Lillian, a apresentação dos grupos e o livro principal de referência tenham feito a diferenciação entre a Classificação como um processo humano e o Sistema de Classificação como um resultado do processo de agrupar semelhantes com regras (RICHARDSON, 1972, apud ALVARES, 2012). A Classificação enquanto fenômeno social é um “processo mental” que ajuda a entender o mundo (LANGRIDE, 1973, apud ALVARES, 2012) e que nós o fazemos a todo tempo de forma consciente ou inconsciente. Já o Sistema de Classificação utiliza conceitos logicamente estruturados que se baseiam em regras predefinidas. Uma característica desse sistema é que esses conceitos recebem cada um deles um código identificador.

Alguns Sistemas de Classificação são bastante utilizados em um contexto de organização bibliográfica, como a Classificação Decimal de Dewey (CDD), desenvolvido por Melvil Dewey (1851 – 1931) em 1876, e a Classificação Decimal Universal, desenvolvido pelos bibliógrafos belgas Paul Otlet e Henri la Fontaine no final do século XIX. Esses exemplos de Sistemas de Classificação são bastante ampliados e se propõem a organizar informações de diversas áreas do conhecimento. Entretanto a Classificação pode ser utilizada para fins mais específicos que se aplica a um contexto próprio: uma Classificação Especializada em Economia, por exemplo, pode ser mais útil em situações que exigem uma recuperação da informação nesse contexto.

Taxonomia

Este Sistema de Organização deriva da Classificação, mas possui como característica um domínio definido de conhecimento e é estruturado em classes e subclasses, ou seja, de forma hierarquizada, iniciando de características mais gerais e prosseguindo até as mais específicas. A estrutura formada pela taxonomia se apresenta em forma de árvore, onde se parte de um termo mais geral e, a medida em que se percorre nas ramificações da árvore, pode-se obter termos cada vez mais específicos. Dessa forma um termo específico (“filho”) só pode partir de um único termo geral (“pai”). Este, por sua vez, pode ter um ou mais filhos.

Apesar do Sistema de Classificação poder agrupar categorias menores dentro de uma classificação mais ampla, esse processo é construído a partir da classificação optada pelo autor que faz a classificação. Na Taxonomia a hierarquia já possui uma forma intrínseca que não pode ser alterada, ou seja, uma categoria mais específica nunca poderia estar abaixo de outra categoria mais ampla se não aquela que ela descende. A Taxonomia dos seres vivos, por exemplo, aponta o leão na ordem dos carnívoros e um macaco na ordem dos primatas. Um não poderia estar no lugar do outro, pois a taxonomia não faria mais sentido.

Ontologia

Para o entendimento deste SOC, é importante ressaltar a diferença entre a Ontologia, que é uma área da filosofia que representa o estudo do ser enquanto ser, e ontologias, que é usado pelas demais ciências e deriva de estudos relacionados ao conhecimento. Para melhor entendimento, Lima-Marques (2006) sugere que a escrita da área filosófica seja feita com letra maiúscula como um nome próprio, enquanto o termo utilizado na Ciência da Informação, que representa um sistema que possui técnicas para ser construído, seja escrito em letra minúscula.

Neste sentido, as ontologias representam um conjunto de objetos reais ou virtuais de um domínio definido de conhecimento, seus conceitos e suas relações por meio de notação formal e linguagem natural. Parece ser um consenso que o processo de construção de uma ontologia passa por uma fase de Classificação e posteriormente de uma taxonomia. Entretanto, as relações existentes na ontologia não se limitam a uma hierarquia em forma de árvore, ou seja, em agrupamentos de termos mais gerais para os mais específicos. A ontologia possui relações lógicas, baseadas nas semelhanças; hierárquicas; partitivas, baseadas no todo e parte; oposição, baseadas nas diferenças; e funcionais, voltadas para os conceitos de processos (ALVARES, 2012). Devido a sua complexidade, a construção de ontologias requer a união entre um conhecimento especializado da ciência da computação e profissionais da ciência da informação.

Organização da Informação ou do Conhecimento?

Retomando as definições contidas no livro de referência, que diferenciam os objetos de estudo da disciplina:

Organização do Conhecimento: visa à construção de modelos de mundo que se constituem em abstrações da realidade.

Organização da Informação: compreende a organização de um conjunto de objetos informacionais para arranjá-los sistematicamente em coleções. (ALVARES, 2012).

Por essas definições, pode-se intuir que o termo mais adequado para essas técnicas seria Sistemas de Organização da Informação. A organização da informação registrada utilizando os Sistemas de Organização parece seguir uma ordem semântica intuída pelo autor. O que se registra é considerado informação, mas semanticamente, ou talvez pragmaticamente, o autor pretende comunicar-se com outrem. A intenção do autor é de registrar uma quantidade de informação suficiente para que a recuperação desta por um usuário crie um conhecimento que represente com maior grau de similaridade a imagem que o autor possui sobre o assunto. A imagem que o autor possui e que o usuário cria no momento da recuperação da informação pode ser bastante aproximada, mas nunca é a mesma, pois o “repertório” de cada um é diferente.

A recuperação da informação não depende apenas do sujeito, mas também da ocasião em que este a recupera. Em momentos diferentes pode-se recuperar informação diferente. A formação da imagem recuperada pelo sujeito depende ainda do entendimento, área estudada por muitos cientistas da informação.

Referências Bibliográficas:

LIMA, J. L. O.; ALVARES, L. Organização e representação da informação e do conhecimento. In: ALVARES, L. (Org). Organização da informação e do conhecimento: conceitos, subsídios interdisciplinares e aplicações. São Paulo: B4 Editores, 2012. 248p Capítulo 1, p. 21/48.