Arquivo do mês: julho 2012

Antes e depois da disciplina de Metodologia da CI

Método Científico

Copiado de Wikipedia.

Foi relativamente difícil criar uma proposta para ingressar no curso de Mestrado em Ciências da Informação da Universidade de Brasília (UnB). Tive que voltar a estudar por conta própria Metodologia de Pesquisa Científica, mas, a princípio, apenas me detive no formato de apresentação da proposta de pesquisa. Na época fiquei relativamente orgulhoso pelo resultado que me permitiu o ingresso na Faculdade de Ciência da Informação como aluno regular. Porém, após as primeiras aulas na disciplina de Metodologia da CI com a prof.ª Sofia e o prof. André Lopez eu percebi que não estava mais tão orgulhoso assim. Aliás, um comentário bastante comum entre os alunos que também tinham feito a proposta de pesquisa sem ter feito esta disciplina era que não entendia como não enxergava antes tantos problemas no projeto.

A prof.ª Dra Sofia Galvão Baptista e o prof. Dr. André Porto Ancona Lopez apresentou uma proposta diferente para a didática da disciplina de Metodologia em Ciência da Informação: uma construção de uma proposta de dissertação, promovido pela orientação da prof.ª Sofia na primeira parte do curso, e uma desconstrução provocada pelo prof. André na segunda parte. Posteriormente percebemos que essa desconstrução foi gerada pelas nossas próprias reflexões sobre nosso projeto, que possuía brechas ainda imperceptíveis em nossa primeira visão imatura.

A primeira parte do curso com a prof.ª Sofia apresentou conceitos fundamentais para a construção inicial de um projeto de pesquisa de mestrado. Esses conceitos resultaram em uma melhor percepção do ponto central do problema através da construção de uma pergunta que norteia a minha pesquisa (ver Pergunta Principal). O problema que é estudado e a justificativa da proposta também foram melhor formulados com uma visão a dar uma contribuição à Ciência da Informação. As contribuições obtidas nessa primeira parte do curso levaram até a uma ligeira mudança nos objetivos específicos da pesquisa.

Enfim, essa primeira parte do curso ajudou a estruturar o projeto de pesquisa, o que resultou nas informações apresentadas em área específica deste blog.

A partir da segunda parte do curso de Metodologia da CI, o prof. André Lopez utilizou recursos como vídeos e blogs e alinhou a uma dinâmica de tarefas que favorecia o debate. Nessas tarefas, o conhecimento do trabalho de pesquisa dos demais alunos era fundamental. Isso sem falar no pulso forte no que diz respeito a atenção as especificações de cada tarefa. Isso desperta os alunos para trabalhar o mau costume da falta de organização que normalmente leva à entrega de trabalhos incompletos e/ou fora do prazo. Com uma turma bastante heterogênea, foi natural abordar questões que até então não fazíamos em nosso projeto. Isso levou àquela desconstrução prometida inicialmente na apresentação do curso.

Acredito que a utilização de blogs na dinâmica de aula tenha sido a inovação que mais contribuiu para uma mudança na minha própria metodologia de estudos. O ato de escrever um pouco a cada dia (mesmo em uma linguagem natural, que é diferente da escrita em textos científicos) sobre textos variados e sobre o nosso projeto e a contribuição provocada pelos debates entre os alunos da turma derivou respectivamente na criação deste blog e no aperfeiçoamento da minha proposta de pesquisa para a dissertação de mestrado.

A disciplina de Metodologia em Ciência da Informação mostra-se como uma disciplina fundamental para a realização de qualquer pesquisa proposta na Faculdade de Ciências da Informação da UnB. Entretanto, as dinâmicas apresentadas neste curso foram essenciais para uma melhoria substancial na forma de como fazer ciência. Utiliza-se a construção conjunta e a contribuição de pessoas distintas com participações ativas através de um debate construtivo. Com isso, não é só o pesquisador que ganha; todos ganham!

Por que fazemos ciência?

Ciência em rede

Copiado de Antena5.

Por coincidência — ou talvez por influência mesmo — minha percepção para responder a esta pergunta está bastante alinhada com Eduardo Tomanik em sua obra O Olhar no Espelho (2004). Confesso que não fiz uma pesquisa sistemática sobre o que é a ciência, mas, como todo estudante de mestrado, já li algumas obras sugeridas pelos professores. Por isso, minha opinião neste assunto pode estar sendo influenciada pelos autores que li. O interessante neste depoimento é que isso já que demonstra, a princípio, que a ciência funciona, uma vez que o estudante que se propõe a fazer ciência deve partir de um conjunto de descobertas comprovadas pela sua área de interesse para dar sua contribuição, aumentando assim o conjunto de descobertas desta ciência. Mas já estou me precipitando.

Percebo que precisamos da ciência por vários fatores. Em primeiro lugar precisamos dela para entender a realidade em que vivemos. Mesmo sem ser especialista em todas as Ciências, no nosso cotidiano lidamos com elas. Utilizamos as Ciências Naturais ao fazer cálculos, ao utilizar um transporte, ao tomar um medicamento indicado por um médico, ao ler este texto no computador ou ao imprimí-lo. Utilizamos também as Ciências Sociais e Humanas ao estudar a cultura de uma sociedade,  ao questionar a nossa história, ao entender o funcionamento de uma empresa ou o comportamento de um indivíduo. Ou seja, mesmo sem ser cientista qualquer indivíduo utiliza o conhecimento que foi produzido pela ciência.

Além disso, como podemos ver, a ciência também é necessária para fazer ciência. “O próprio avanço das ciências e das tecnologias contribui para abrir novos campos e formas de pesquisas” (TOMANIK, 2004). As diferentes formas de se fazer a pesquisa nas Ciências Sociais também possibilitam novos rumos para os estudos que envolvem o homem (TOMANIK, 2004).

Precisamos também da ciência como um meio comum para a validação das descobertas feitas pelos pesquisadores. Os questionamentos e debates realizados entre os cientistas contribuem para o aperfeiçoamento de uma ideia. A aceitação de uma descoberta realizada por um pesquisador é feita através da comprovação de uma tese ou pelo simples convencimento de suas afirmações. Neste caso, o aceite destas afirmações significa que as ideias propostas resolvem um conjunto de problemas observados por esta Ciência.

Observamos então a ciência como uma espécie de “acordo” entre os pesquisadores, onde delimita-se os problemas que serão estudados, utiliza-se um objeto de estudo que será observado e propõe-se um método para resolução desses problemas. Assim, a importância da utilização da ciência está na busca pela compreensão da realidade através de uma comunidade científica que registra o conhecimento científico em busca de um “conhecimento verdadeiro”.

Referências

TOMANIK, Eduardo. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em ciências sociais. 2. ed rev. Maringá: Eduem, 2004.